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Tapiro Grill
Tipo de projeto
Epóxi sobre cerâmica
Data
Junho 2026
Localização
Hotel Serhs Natal/RN
O mural foi desenvolvido a partir de uma interpretação autoral do sertão nordestino, buscando traduzir a identidade regional do restaurante por meio de uma paisagem que une natureza, cultura e o universo da pecuária.
A proposta não parte de uma representação documental do sertão, mas de uma construção visual que preserva elementos reconhecíveis da paisagem nordestina enquanto cria uma atmosfera mais generosa, acolhedora e compatível com a experiência gastronômica do Tapiro Grill.
Paisagem e Ambientação
A composição reúne elementos característicos da caatinga, como cactos, vegetação nativa, árvores e açude, criando diferentes planos de profundidade e conduzindo o olhar ao longo da pintura.
A presença da água e de áreas mais verdes foi pensada para equilibrar a aridez característica da paisagem sertaneja, construindo um cenário de abundância e vitalidade.
O resultado é um sertão interpretado de maneira mais poética: reconhecível em seus elementos, mas livre de uma representação excessivamente árida ou literal.
O Gado como Elemento Central
A presença do gado estabelece uma conexão direta com o universo da pecuária e com a própria proposta gastronômica do restaurante.
Os animais foram representados de maneira robusta e saudável, trazendo à composição uma sensação de força, qualidade e abundância.
Mais do que reproduzir fielmente uma paisagem de seca, a pintura cria uma versão idealizada desse território — um sertão fértil, vivo e generoso, alinhado à experiência que a marca deseja oferecer.
Arquitetura e Memória Regional
A casa de taipa surge como um elemento de identificação imediata com a cultura e a arquitetura tradicional do Nordeste.
Mais do que representar uma construção, ela funciona como um ponto de memória dentro da paisagem, trazendo para a composição uma sensação de pertencimento, simplicidade e acolhimento.
A presença da vaca com seu filhote acrescenta uma dimensão mais afetiva à narrativa, enquanto os diferentes comportamentos dos animais — entre movimento, imponência e repouso — ajudam a criar uma cena que parece existir para além da pintura.
O Tapirus na Paisagem
Como referência direta ao nome Tapiro, a anta foi inserida de maneira discreta na composição.
Sua presença próxima à água cria uma conexão natural com o ambiente representado e funciona como uma espécie de detalhe para ser descoberto pelo observador, sem assumir protagonismo sobre a narrativa principal.
Assim, o animal deixa de ser apenas uma referência ao nome do restaurante e passa a integrar a própria história visual da paisagem.
Uma Paisagem para Ser Percorrida
As três paredes foram pensadas como partes de uma mesma narrativa.
Embora cada uma possua sua própria composição e ponto de interesse, os elementos se relacionam visualmente para criar continuidade entre os ambientes. O olhar percorre a paisagem, encontrando diferentes personagens, planos e pequenos acontecimentos ao longo do caminho.
A intenção é que a pintura não seja percebida apenas como um cenário decorativo, mas como uma paisagem para ser descoberta aos poucos — uma interpretação afetiva do sertão, construída especialmente para o Tapiro Grill.
Um sertão imaginado entre memória, natureza e abundância.

